Estou a envelhecer, amadurecer talvez... crescer. E estou numa puberdade terrível, aquele fogo que já não consegue florescer. Não arde, não invade, só fica lá, num canto do meu coração... Um fogo frio.
Ontem estive num workshop. Era um domingo que fugiu um pouco do osso da minha rotina. Fiquei com o domingo na pele, saudades nas mãos e tranquilidade no cabelo. No entanto, precisava quebrar aquele sentimento de sentar e olhar para a janela, do pássaro que me abandonou, olhar para a minha Azorina que também me abandonou, e lembrar dos meus filhos que estão a tornar-se estranhos.
Não quis beber um copo de água para espalhar mensagens pelo sangue. Queria tanto aproveitar esta preguiça, mas o meu cérebro entrou em fase automática, como se estivesse em perigo. Apesar de ter força de leoa, eu senti a vida como uma ovelha negra seguida pelos lobos — lobos de emoções, lobos de materiais, etc.
Naquele dia, só queria abraçar o meu cansaço coletivamente.
Não quis estar em cima do sofá com o portátil, nem olhar para o infinito com o meu copo de chá. Fui à reunião de “Kriola di Força”. Percebi que as mulheres — como todas as pessoas — gostam mais de ver-me a desfilar como uma tigre ou rugir como uma leoa.
Mas, querida “Kriola di Força”,
eu acho que sou humana.
Não quero estar sempre com um soutien a subir os meus peitos às alturas, ou a apertar a minha barriga para acentuar a cintura. Não preciso de estar sempre a dançar ou a gritar poesia para ser Glória Sofia.
Às vezes, gosto do sabor de ser vencida pela rotina, pelos pensamentos.
Eu também sou Glória Sofia quando deixo os meus ombros descaídos ou quando tenho o olhar apagado.
Isso não traduz a minha fraqueza.
E mesmo que fosse, eu tenho direito a ser fraca um dia.
Tenho direito de deixar o meu cabelo livre.
O meu cabelo, a minha história, a minha liberdade, a minha identidade.
É meu, e acolho — assim como acolho o meu cansaço, a minha desilusão, assim como acolho o batuque do meu peito.
Deixem-me andar cansada, com olhos leves e adormecidos,
com os ombros nus e descaídos,
com os meus peitos caídos pelo orgulho de ter alimentado os meus amores.
Deixem-me andar com passos lentos,
pois sabeis que tenho passos estressantes e apressados.
Deixem-me ser livre.
Deixem-me abraçar o meu caminho.
Deixem-me acarinhar a minha solitude.
Deixem os meus olhos quando não veem infinitos.
Deixem-me ser Glória Sofia.
Porque eu sou linda, maravilhosa, cansada, triste ou doente.
Eu sou Glória Sofia.














































