terça-feira, março 26, 2013

GLÓRIA MONTEIRO: “O sonho é o elevador da felicidade”

Praiense por nascimento, a poesia atravessa o seu imaginário desde muito cedo. Andarilha dos caminhos deste mundo, a poetisa já viveu nos Açores, reside actualmente na Holanda e, em Fevereiro último, lançou em Lisboa “Poesia das Lágrimas”


É a primeira obra poética publicada por Glória Monteiro. Mas a Poesia muito cedo se lhe colou à pele, na Terceira (Açores) para onde emigrou com a família. “Poesia das Lágrimas”, com chancela da “Chiado Editora”, viu a luz do dia e fez-se aos leitores em 22 de Fevereiro último na “Livraria Les Enfants Terribles”, na capital portuguesa, e contou com a apresentação do poeta Mário Matta e Silva, uma das referências poéticas de Glória. Cabo Verde Directo falou com a poetisa em Roterdão, aqui fica o registo da conversa.

Cabo Verde Directo: Para começar, gostaria que fizesses para os leitores uma breve apresentação da tua pessoa. Quem é Glória Monteiro?

Glória Monteiro: Isto de nos descrevermos é de facto uma tarefa complicada, principalmente a quem escreve poesia e encara o melhor e pior de si todos os dias com uma frequente mudança de interpretações de cada detalhe, por isso vou-me restringir a factos que facilmente se podem enumerar. Nasci no dia dedicado ao amor e aos enamorados decorria o ano de 1985, na cidade da Praia, em Cabo Verde. Sou originária de uma família humilde e bastante numerosa. Depois de um percurso escolar igual a tantos outros, terminei o Secundário e surgiu a possibilidade de rumar para outros mundos. O destino foi novamente uma ilha, bastante longe mas ainda assim com muita proximidade, das quais destaco a língua que me facilitou a integração. Na ilha Terceira [Açores] licenciei-me em Engenharia e Gestão do Ambiente, entre actividades como desporto e tuna. De seguida inscrevi-me no mestrado de Gestão e Conservação da Natureza que actualmente frequento. De outros factos relevantes na descrição de quem sou, saliento o de ser representante do Movimento Pró-África na Holanda, onde actualmente resido. Hoje não podia deixar de ser a Glória sem o amor da minha vida, um homem de 2 anos chamado Gabriel.

Fizeste o teu curso num arquipélago em Cabo Verde e nos Açores. Quais as similitudes entre os dois arquipélagos?

Existe um mundo de diferenças entre estes dois arquipélagos, as suas cores e seus cheiros, suas gentes e suas culturas, mas existe simultaneamente uma linha condutora que aproxima estes pedaços de terra distantes mas próximos do meu coração. Aspectos em comum são vários, o mar sempre presente no olhar e no aroma, a brisa permanente e salgada, as paisagens deslumbrantes são comuns. São diferentes em ambos os arquipélagos, claro, mas ambos nos fazem sentir pequenos perante tamanha obra divina. A beleza e serenidade do povo açoriano podem por vezes contrastar com a vivacidade e o calor das gentes de Cabo Verde. Mas se existe nos Açores uma ilha festiva, ilha essa que é de facto a Terceira, são as touradas, os bailinhos de Carnaval e as festas do Espírito Santo que perduram durante quase todo o ano. Esta vontade de festejar a vida é algo que encontrei em comum com as minhas origens. 

A integração foi fácil? Fala dessa tua passagem pelos Açores…

O povo açoriano tem vindo a crescer na percepção das dificuldades que um jovem enfrenta ao emigrar, algo que me ajudou a fazer também amizades fora do meio universitário, até porque existem muitos cabo-verdianos pelos Açores.

No entanto, quando cheguei à ilha Terceira foi difícil, tudo em mim eram saudades e por isso isolei-me e tive alguma dificuldade inicial em me integrar. Nessa fase sentia-me sozinha, e mesmo falando a mesma língua vivi situações em que me exprimia e não era entendida ou era mesmo mal interpretada. Mas, com o tempo, fui conhecendo as diferenças nas palavras e nas emoções das pessoas que ia conhecendo. E, claro, ao me abrir ao mundo ele também se abriu para mim e por isso essas dificuldades foram sendo ultrapassadas. Por outro lado, fui percebendo que a maioria dos alunos universitários da ilha é deslocado, ou porque é de outra ilha ou do Continente, isso ajudou a sentir-me mais igual. Momentos bons e maus temos em qualquer lado, mas a experiência nos Açores foi globalmente muito positiva, cresci, licenciei-me, deixei amigos para a vida naquelas ilhas. E até os momentos mais desesperantes de saudade tiveram o seu fruto: cada vez que me sentava e passava esses sentimentos ao papel.

Quando é que começastes a escrever? Sempre escrevestes poesia?

Tenho a escrita como um refúgio quase desde que me lembra de ser gente. Desde os meus 8 anos que escrevo, claro que na altura não sob a forma de poesia mas sobre a forma de uma criança, genuína, inocente e cheia de sonhos que sentia uma necessidade de extravasar sentimentos para um papel, tirar coisas do peito parece que as tornam menos pesadas, ainda hoje sinto isso. Marcou-me especialmente um evento, um concurso de literatura na minha escola primária, fiquei no terceiro lugar. Meu coração explodia de alegria e de orgulho por tal feito… Tinha um outro motivo especial para pegar numa caneta e num papel, meu pai era emigrante e sempre que a saudade apertava escrevia-lhe cartas. Desde então nunca parei…. é uma forma de a minha alma comunicar com o mundo exterior através das palavras.

“Poesia das Lagrimas”, é o livro que lançaste recentemente em Lisboa. Que particular razão te levou à escolha do título?

Escrevi este livro em momentos repletos de emoção. Imagino não ter escrito uma frase sem uma lágrima. Vivi intensamente a adolescência e juventude e esta “Poesia das Lágrimas” retrata a dor vivenciada nesse tempo, os turbilhões de sentimentos, os amores e desamores, as paixões que achamos eternas, a loucura sempre presente, os sorriso e as lágrimas, a dor e o desespero.

Qual a temática ou temáticas que te inspiram para escrever? Neste teu primeiro livro que género poético o leitor pode encontrar?

A única coisa que me inspirou foi a vida. É sobre isso mesmo que escrevo. Sobre as saudades, sobre crescer e sofrer, sobre amar. Tem tantos temas e tantos sentimentos diferentes que não dá para dizer um tema. As minhas poesias não seguem rigorosamente nenhum estilo, é como as nossas vidas que por vezes decorrem sem termos controlo. Escrevi o que me ia na alma e nada mais espero.

Que poetas te inspiram?

Adoro a poesia da Florbela Espanca, para mim é uma das melhores poetisas do mundo, e se tenho um ídolo ela seria de facto um deles, a forma como ela grita pelo amor, os detalhes que consegue exprimir em palavras são avassaladores. Quando leio a obra dela, desaparece o receio de expor a minha alma nua.

Cabo Verde tem marcado pontos também na Literatura, dos escritores cabo-verdianos, quem admiras? E quais influenciam a tua escrita, de Cabo Verde e deste nosso mundo?

Relativamente a Cabo Verde, gosto particularmente de Vera Duarte, desde pequena que a admiro, digamos que ela é a minha Diva cabo-verdiana. Mário Lúcio é, sem dúvida, um dos melhores, a simplicidade com que ele descreve os sentimentos é extraordinária e Danny Spínola também foi marcante para mim.

Em relação a poetas estrangeiros são um mundo deles, e sei que vou deixar imensos para trás, posso mencionar o Vinícius de Morais, Mário Matta e Silva, Pablo Neruda, Fernando Pessoa  Julião Sousa, Cecília Meireles…

A publicação de uma obra literária é sempre difícil. Quais as dificuldades que encontraste para a publicação do teu livro?

Penso que editar um livro é sempre difícil, mas essas dificuldades acrescem quando o possível mercado para o livro diminui. A Poesia tem um público limitado, e é difícil obter sucesso comercial. Sempre haverá um conjunto restrito de pessoas que gostam e, principalmente, compram poesia. É um nicho difícil de explorar. Com os tempos mais difíceis que se vive por Portugal e por essa Europa fora, que se reflete no facto de nunca ter conseguido trabalho na minha área de formação, uma das maiores dificuldades que tive foi financeira, mas com muito esforço o dinheiro nem parece importante, quando o sonho e força de vencer é maior. Espero que gostem desta minha partilha.

Depois do lançamento em Portugal, tens previsto fazê-lo em outras paragens?

Depois do lançamento em Portugal e arquipélagos, está prevista uma apresentação aqui na Holanda, no Luxemburgo e França. Solicitei também apoios para levar este meu contributo ao meu povo em Cabo Verde. Se tudo correr bem, ainda este ano estarei em Brokton com a ajuda do Movimentu Chokanti.

Como foi o lançamento em Portugal?

Foi um sucesso. Consegui demostrar aos meus leitores, que não há dificuldade que não se possa ultrapassar quando o sonho é grande, quero gritar-lhes com a expressão da minha face e com o desfolhar do meu livro que o amor abre todas as portas do sucesso, que o sonho é o elevador da felicidade.

Há quanto tempo vives na Holanda e como tem sido a tua integração?

Há cerca de um ano. A integração é tao difícil quanto a língua e o clima, mas a força de um objetivo de melhorar de vida vence quaisquer obstáculos.

Entrevista conduzida por Norberto Silva

sexta-feira, março 01, 2013

Asemana Online Cabo Verde


 
Glória Monteiro lança “Poesia das Lágrimas” em Lisboa
22 Fevereiro 2013
“Poesia das Lágrimas” é o primeiro livro da jovem poetisa Glória Monteiro. O lançamento da obra acontece esta sexta-feira, 22, às 18 horas, na Livraria Les Enfants Terribles, na cave do Cinema King, na Rua Bulhão Pato nº1. Gloria Monteiro é uma jovem cabo-verdiana residente na Holanda e ’Poesia das Lágrimas’ é, segundo ela, "a concretização de um... grande sonho pessoal".

Mário Matta e Silva será o orador convidado da obra “que é composta por versos livres, rimas e sonetos, um desabafo de uma menina moça, apaixonada pelas pequenas coisas que a vida proporciona. Descreve sentimentos de amor que amarguram mas fazem crescer, que matam mas que simultaneamente dão vida”.

AC
in: http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article85150

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

O GOLPE DA BARRIGA

O GOLPE DA BARRIGA NO ALCANCE DA PENSÃO ALIMENTÍCIA

O “golpe da barriga”, também conhecidíssimo como “golpe do baú”, sempre foi assunto antigo e comum. É muito utilizado seja para segurar um sujeito num casamento arranjado, quase que forçado (agarrando o bode pelo chifre) ou, simplesmente, para conseguir arrancar uma pensão (de preferência muito polpuda), que vai proporcionar tempos tranquilos para despesas extras. A gravidez é constantemente usada como vantagem financeira para a obtenção da pensão alimentícia.
Isso, todo mundo sabe, ou pelo menos, deveria saber.
O que muita gente não tem conhecimento é que existem algumas leis recentes que favorecem, em muito, este tipo de golpe. As leis, praticamente, institucionalizaram e legalizaram o golpe da barriga. O risco de sofrer desta má sorte ficou muito maior.
A quantidade de homens vítimas desta “maré de azar” é assustadora. São homens que levaram o tal golpe, e, agora, não sabem o que fazer. Este fato denuncia a falta de conscientização dos homens sobre o assunto, resumida em dois grandes pontos cruciais: a falta de conhecimento sobre a legislação e o excesso de confiança na companheira.

 Infelizmente, não há muito que fazer para ajudar esses vitimados homens quando a corda já se arrebentou (quando a sementinha já foi plantada). No caso deles, resta tentar administrar o problema. Tentar pagar uma pensão menor, e prestar atenção em sinais de alienação parental.

Tudo isso leva a confirmar que o homem precisa se conscientizar do seguinte: ele é a parte mais frágil da relação. A justiça e as leis estão todas contra ele. Cabe ao mesmo se prevenir. Cabe ao mesmo fugir e evitar o tal golpe. Depois que do ato consumado, só restam os pêsames! Ninguém poderá ajudar. Nenhum juiz terá compaixão.
É necessário tomar cuidado com alguns fatores de risco:
1 – Métodos contraceptivos: Você é convencido a não usar a camisinha. São inventadas várias desculpas esfarrapadas. Algumas mulheres falam que a camisinha é incômoda ou que tomam, religiosamente, as tais pílulas anticoncepcionais. Tem aquelas que tentam, a qualquer custo, tirar sua camisinha durante a relação sexual (sem contar algumas sabichonas que, maquiavelicamente, as rasgam). Às vezes, o homem cai naquela de “quando eu for gozar, eu tiro” (aí está o cúmulo da burrice do homem).
2 – Bode expiatório: Ela engravida de outro. O autor da “barriga” some, e não assume a criança. No desespero, ela te chama para fazer aquele sexo casual. Vocês transam sem camisinha e você se transforma, como num “passe de mágica” no pai do ano. 
3 – Retorno surpresa: Ela namorava você. Vocês terminaram. Ela arruma outro e tem um lindo filho com ele. Depois, reaparece (do nada) para você. Chorando (lágrimas de crocodilo), inventa que você a abandonou grávida. E agora? Os bons de coração assumem a paternidade de imediato. A pergunta é: Você é bom de coração?
4 – Mãe solteira: Vocês começam a namorar e ela já tem um filho. Vocês iniciam uma união estável. Depois, vem a tal separação. Em sua opinião, qual seria a primeira reação dela? E ela vai requerer a pensão para o filho na justiça, é lógico!
5 – Ricardão Jr: Vocês são casados e nem paira aquela leve desconfiança de que a “bonitona” é adultera. Você acaba acreditando que o filho que nasceu desta união linda e feliz é seu, acreditando ser desnecessário, o pedido do exame de DNA. Os anos se passam e você descobre, muito tardiamente, que o filho não tem nem o branco do olho parecido com você, levantando graves suspeitas de que o filho não é seu. Pior de tudo é que a justiça dificilmente admitirá que você desfaça o bendito reconhecimento de paternidade. Entende-se, nesses casos, que pai é justamente aquele que registra a criança.
7 – Pós-transa: Ela pega a camisinha usada e engravida usando aquele sêmen!!! Já ouviu falar em auto inseminação? Está na moda ultimamente. É um método que está sendo muito utilizado pelas golpistas de plantão.
Enfim, são inúmeras as formas de concretização do golpe da barriga e muitas mulheres se dão muito bem com elas. São mulheres incompetentes e covardes que buscam relacionamentos para engravidar por interesse financeiro pelos direitos legítimos dos filhos e depois correr para a Justiça, se beneficiando da visão antiquária de alguns Magistrados, para conseguir liminarmente vantagem financeira e patrimonial.
Cabe ressaltar que, evidentemente, a maioria das mulheres que buscam as Varas de Família é por motivo justo, visando garantir o direito de seus filhos, contra aqueles homens que deixam de cumprir com o seu dever paterno. O que não pode acontecer é a padronização das decisões de modo que venha a favorecer litigantes de má fé e desclassificar o homem na busca de seus direitos enquanto pai.
É dever dos Magistrados, principalmente, das Varas de Família atentarem para as consequências que suas decisões podem provocar, envidando esforços para evitar uma visão ultrapassada, tendo em vista que não é somente a mãe que sabe por que o filho está chorando. Além do mais, o homem (sexo masculino) é um ser humano como qualquer outro, dotado de sentimentos, de necessidades materiais e de seus direitos como cidadão, por isso, é necessário, definitivamente, por fim a visão equivocada de que ao homem resta apenas o dever de pagar a tal PA (pensão alimentícia). in: http://sheyla-veras.blogspot.nl/2011/10/o-golpe-da-barriga-no-alcance-da-pensao.html

Joaquim Sustelo - Lancamento Poesias das Lagrimas

Encontramo-nos hoje aqui reunidos na apresentação do 1º livro de poesia da nossa amiga Glória Monteiro.

A Glória  é uma jovem que tenho o prazer de conhecer poeticamente através de um Grupo que criei na Net, há uns anos e que tem por nome Horizontes da Poesia.Ela entrou para o Horizontes em 23 de Novembro do ano passado, pelo que faz amanhã três meses que conheço a sua forma de escrever poesia.

Ora, o que é a Poesia? Todos sabemos, mas como defini-la?

Poesia, não tem definição. Ou talvez se possa dizer
que


e esta definição é minha.

Mas a melhor definição de poesia que vi até hoje, foi da minha amiga poetisa Landa Machado, em 2007, que acho uma maravilha (ela não achava rsrsr) e que peço licença para dizer aqui:


Poesia


Poesia não tem definição...
É tudo aquilo que nos toca a alma
Folha que o vento leva em turbilhão
As cores dum poente em tarde calma

 
Um pássaro que esvoaça em pleno céu
Um barco que navega pelo rio
A brancura da neve como véu
Envolvendo em silêncio um dia frio
Poesia é um rosto puro de criança
Um aceno de mão cheio de esperança
Um gesto que nos mostra amor... bondade...
 
Poesia,  é a tela de um pintor
Um botão a abrir-se em plena flor
Ou lágrima num rosto sem idade
 
Landa Machado
Lisboa, 22 de Março de 2007
Em “PARA ALÉM DO HORIZONTE…”


Poesia é tudo isto. E tem uma particularidade: não convém que seja muito descritiva. Torna-se mais bonita com o uso de metáforas, isto é, empregando palavras em sentido figurado, ou  substituindo palavras por outras que tenham uma comparação com elas subentendida.

Ora, a nossa Glória, é ainda uma jovem. E tem – dizia-me ela há dias – alguma dificuldade no português, por ser natural de cabo Verde e falar crioulo (Língua de base lexical portuguesa, falada em Cabo Verde, que engloba diferentes variedades.)

Mas isso não importa para um poeta, pois há formas de ultrapassar a situação, como sabemos. O mais difícil, sim, é ter um espírito poético e saber empregar a linguagem metafórica, oferecendo ao leitor imagens de grande beleza. E esta parte, a Glória sabe fazê-lo muito bem.
Atente-se nestes exemplos:

1.     No poema GRITAR O MEU NOME ela escreve:

“Vesti das nuvens para te fazer sorrir
Engoli toda a luz
Para te fazer brilhar com os meus beijos

Roubei arco iris para te colorir de alegria
Abandonei meu sorriso no infinito…

Bebi toda a água da tua alma
Para não te cair nenhuma lágrima

2.   No poema MÃE cria estas imagens  lindíssimas:

Mãe é uma flor,
Regada de astros

É um cobertor
Derramando luz

3.   No poema CARÍCIA diz-nos:


Resido no teu olhar vivo
Onde apenas sangue se comunica

A delícia do teu falar calórico
Enche meu coração de grandeza.


E mais exemplos poderia dar, apesar de ainda lhe conhecer tão poucos poemas.

Glória, neste dia tão importante para ti, vim aqui para te parabenizar por este espírito tão bonito que vislumbrei desde que entraste para o Horizontes da Poesia. E não fui só eu, já que tens lá muitos comentários de poetas e poetisas que se deliciaram com a tua forma de escrever.

Parabéns por este teu filho-livro que, por experiência, sei o quanto nos alegra vê-lo nascer. Desejo-te os maiores sucessos com ele!

Ninguém sabe o que a vida nos reserva. Mas peço para ti uma vida plena de amor, saúde, alegria e imenso sucesso neste mundo onde em boa hora decidiste entrar. Conta comigo para o que estiver ao meu alcance!

Por último, parafraseando um verso teu “Só vim aqui para ouvir… e gritar também o teu nome.”

Felicidades.

Joaquim Sustelo

Mario Matta e Silva - Apresentacao -Poesias das Lagrimas

GLÓRIA SOFIA VARELA MONTEIRO, nascida em 14 de Fevereiro de 1985, tendo completado este mês, precisamente no dia dos namorados, 28 anos.
Nasceu na cidade da Praia em Cabo Verde e depois de terminar o liceu foi viver para os Açores, onde se licenciou em Engenharia e Gestão do Ambiente. Actualmente prepara o mestrado em Gestão e Conservação da Natureza. Reside presentemente na Holanda.
Colabora no jornal Liberal on-line, de Cabo Verde e noutros sites de poesia.
De uma personalidade dinâmica e criadora evidencia uma sensibilidade muito profunda que se reflecte nas mensagens poéticas que constrói, e que, neste livro, deixa para a posteridade.
Lutando pelos valores e pela cultura africana dinamiza o movimento Pró-África, na Holanda.
Em Portugal viveu os seus tempos de mulher adulta, debatendo-se com várias contrariedades entre elas a falta de perspectivas de emprego que a levou a emigrar. Na cidade da Amadora frequentou a Tertúlia Poética, Sempre Acontece Poesia, onde trocou saberes e angariou simpatia.
Da poesia que nos deixa neste seu primeiro livro POESIA DAS LÁGRIMAS, grava o amor, a angústia, e até a revolta, sem esquecer porém o trilho da esperança que percorre com ânimo e fé.
A beleza das palavras de cada verso, estrofe ou poema reveste-se de um deslizar  de lágrimas sentidas que nos toca a todos como seus leitores.
A esforçada teimosia que Glória impôs a si mesma e ao Mundo que a rodeia, para “parir” este outro acarinhado filho, dá-nos a oportunidade de estarmos aqui, perante ela, numa demonstração de calor e de afectos. Os meus parabéns Glória. 22 de Fevereiro de 2013 - Professor Mário Matta e Silva

Video Lancamento do Livro poesias das Lagrimas





sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Cartas a um jovem poeta

Paris, 17 de fevereiro de 1903
Prezadíssimo Senhor,

Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança.
Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal-entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizívies quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, — seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.

Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria, somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com a maior clareza no último poema Minha alma. Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema A Leopardi talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem — usando da licença que me deu de aconselhá-lo — peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas deste longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre o lusco e fusco diante do qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, — o único existente. Também, meu prezado Senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra sua vida; na fonte desta é que encontrará resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o Senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e a sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou.

Mas talvez se dê o caso de, após essa decida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o Senhor de renunciar a se tornar poeta. (Basta como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de sua consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.

Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.

Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Horacek; guardo por este amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste meu sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.

Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.
Com todo o devotamento e toda a simpatia,


 

Rainer Maria Rilke
nasceu em Praga no dia 4 de dezembro de 1875. Depois de viver uma infância solitária e cheia de conflitos emocionais, estudou nas universidades de Praga, Munique e Berlim. Suas primeiras obras publicadas foram poemas de amor, intitulados Vida e canções (1894). Em 1897, Rilke conheceu Lou Andreas-Salomé, a filha de um general russo, e dois anos depois viajava com ela para seu país natal. Inspirado pelas dimensões e pela beleza da paisagem como também pela profundidade espiritual das pessoas que conheceu, Rilke passou a acreditar que Deus estava presente em todas as coisas. Estes sentimentos encontraram expressão poética em Histórias do bom Deus (1900). Depois de 1900, Rilke eliminou de sua poesia o lirismo vago que em parte lhe haviam inspirado os simbolistas franceses, e, em seu lugar, adotou um estilo preciso e concreto, que podemos perceber em O livro das horas (1905), que consta de três partes: O livro da vida monástica, O livro da peregrinação e O livro da pobreza e da morte. Esta obra o consolidou como um grande poeta por sua variedade e riqueza de metáforas, e por suas reflexões um pouco místicas sobre as coisas.

Em Paris, em 1902,
Rilke conheceu o escultor Auguste Rodin e foi seu secretário de 1905 a 1906. Rodin ensinou o poeta a contemplar a obra de arte como uma atividade religiosa e a fazer versos tão consistentes e completos como se fossem esculturas. Os poemas deste período apareceram em Novos poemas (2 volumes, 1907-1908). Até o início da I Guerra Mundial, o autor viveu em Paris de onde realizou viagens pela Europa e pelo norte da África. De 1910 a 1912 viveu no castelo de Duíno, próximo a Trieste (agora na Itália), e ali escreveu os poemas que formam A vida de Maria (1913). Logo após iniciou a primeira redação das Elegias de Duíno (1923), obra esta em que já se percebe uma certa aproximação dos conceitos filosóficos existenciais de Soren Kierkegaard.

Em sua obra em prosa mais importante, Os cadernos de Malte Laurids Brigge (1910), novela iniciada em Roma no ano de 1904, empregou imagens corrosivas para transmitir as reações que a vida em Paris provocava em um jovem escritor muito parecido com ele mesmo.

Residiu em Munique durante quase toda a I Guerra Mundial e em 1919 mudou-se para Sierra (Suíça), onde se estabeleceu para o resto de sua vida, salvo algumas visitas ocasionais a Paris e Veneza, concluindo as Elegias de Duíno e escreveu Sonetos a Orfeu (1923). Estas obra são consideradas as mais importantes de sua produção poética. As Elegias representam a morte como uma transformação da vida e uma realidade interior que, junto com a vida, foram uma coisa única. A maioria dos sonetos cantam a vida e a morte como uma experiência cósmica.
Rilke morreu no dia 29 de dezembro de 1926 em Valmont (Suíça).
Sua obra, com seu hermetismo, solidão e ociosidade, chegou a um profundo existencialismo e influenciou os escritores dos anos cinqüenta tanto na Europa como na América.

Texto extraído do livro "Cartas a um jovem poeta", tradução de Paulo Rónai, Editora Globo – Rio de Janeiro, 1995.